September 16, 2010



A Iniciativa CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL promove e coordena um conjunto de acções de comunicação, que disponibilizam a um vasto público de interessados a informação relevante sobre as medidas de melhoria a implementar na construção e reabilitação do meio

As cidades são fundamentais para o equilíbrio ambiental e socioeconómico das nações. Qual o papel da construção/arquitectura neste tema?

As cidades são o habitat de mais de metade da população humana e constituem, na sua maioria, territórios compactos e, consequentemente, também frágeis. A fragilidade resulta do facto que as cidades são os locais em que se concentram as maiores pressões, também ambientais (intensifica-se a procura e a oferta de fluxos) e em que se agudizam os extremos – expectativas e desilusões, riqueza e pobreza, exclusão social e solidariedade – e como tal são carentes de visões holísticas integradoras e de uma gestão competente e descentralizada.

O edificado é, sem dúvida, uma grande determinante na qualidade de vida das pessoas. Por exemplo:
– O planeamento urbano determina os usos e desta forma determina também se as pessoas têm acesso de qualidade a tudo que precisam ou se têm de habitar longe de onde trabalham;
- A qualidade da construção dos edifícios determina a forma como as pessoas usufruem de condições de salubridade e conforto, condições estas que lhes permitem ter uma vida equilibrada, produtiva e positiva; Uma cidade que procure tornar-se próspera e sustentável, precisa de qualificar o seu meio edificado no sentido de conseguir optimizar o respectivo desempenho energético-ambiental.

Qual é a ideia ou projecto mais sustentável que alguma vez desenvolveu?

Sempre o próximo!
Cada projecto serve para dar passos no sentido da sustentabilidade e assim o próximo projecto é sempre o que será o mais sustentável.
Também as tecnologias disponíveis através de sistemas construtivos integram mais e mais dimensões da sustentabilidade – começamos por especificar soluções que melhoravam sobretudo o desempenho energético dos edifícios. Gradualmente tornou-se possível especificar soluções
que optimizam o desempenho energético e também o ambiental, melhorando o ciclo de vida dos materiais e do edifício, a qualidade do ar interior… Na medida em que o mercado absorve os novos conceitos, não há limites à inovação e às sinergias possíveis!

Qual o primeiro hábito que alterou quando começou a trabalhar com o tema Sustentabilidade?

Como terceira geração que se rege por princípios da sustentabilidade, não sei muito bem como responder a esta questão…
É do conhecimento geral que existem abordagens um pouco diferentes em relação à sustentabilidade, sobretudo quando nos referimos aos comportamentos das pessoas. Se seguirmos o conceito CRADLE TO CRADLE nem precisamos de alterar os nossos hábitos – por exemplo: mesmo com o gesto de atirarmos o embrulho do gelado para a berma da estrada, embrulho este que ao sair do congelador e entrar em contacto com o solo poderá fertilizá-lo com as sementes raras que transporta, podermos estar a contribuir para aumentar a biodiversidade do planeta
- em contraponto com uma outra abordagem, se seguirmos o conceito de THE NATURAL STEP ou o GLOBAL CHANGE PROGRAMME, no qual precisarmos de adequar os nossos comportamentos às condições sistémicas que nos permitem desenvolver aumentando sistematiamente a capacidade do planeta de regenerar os ses recursos – utilizando o mesmo exemplo: se o gelado nem contribui para a nossa saúde, nem o estaríamos a consumir, se os terrenos carecem de serem fertilizados com sementes raras, esse processo será integrado de uma forma sistemática e não furtuita…

Os meus pais transmitiram-me um enorme respeito pela natureza e pelos recursos finitos, pelas pessoas e pela cultura – fiquei convencida!
Entretanto nem a exposição a uma cultura do consumismo, à pressão constante e crescente induzida pelas campanhas de publicidade e de marketing, intensas e institucionalizadas que autorizam, incentivam e quase obrigam a comportamentos de consumismo e nos levam a comprar o que planeámos, mas também aquilo de que não precisamos realmente… teve o efeito de me tornar materialista.

Também como adulta e profissional não conheci outro enquadramento que não o da sustentabilidade… apesar de admitir que aprendi muito desde o início da minha carreira até hoje! E tenciono continuar a aprender todos os dias!

Uma Resposta to “Livia Tirone”

  1. LxSustentável apresenta o Código Verde | LX Sustentável Says:

    [...] [...]

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