May 16, 2011

Fernando Silva é o responsável da Siemens Portugal pela área da mobilidade eléctrica, com particular enfoque no desenvolvimento de modelos de negócio e tecnologias para as Smart Grids e para o carro eléctrico.
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A mobilidade eléctrica é um cenário futurista ou será uma realidade a curto prazo?
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Lembro-me de ver nos filmes de ficção científica como as cidades do século XXI eram retratadas: teletransporte de pessoas e bens, vigilância em todo o lado e, talvez a imagem mais forte de todas, os carros voadores.
Basta olhar pela janela para perceber que tudo isto está muito longe de acontecer. Mas acredito que os carros eléctricos farão parte da paisagem urbana mais cedo do que se espera.
Os estudos divergem nas conclusões, mas não arriscaria muito se afirmasse que, algures entre 2020 e 2030, a maioria dos veículos vendidos na Europa será do tipo “híbrido” ou “eléctrico”. A velocidade com que esta mudança se processará irá depender da vontade política, impulsionada pelas directivas Europeias, da evolução do preço do petróleo, resultante da escassez e crescente custo da extracção e do desenvolvimento tecnológico das baterias para os veículos (capacidade e peso).
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De que forma o carro eléctrico vai mudar a face das cidades?
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Mais do que as mudanças visíveis – implementação de infra-estruturas de carregamento – serão as alterações de comportamento, muitas delas quase invisíveis, que terão um impacto mais relevante no respirar das cidades.
O factor chave para o sucesso dos carros eléctricos junto do grande público será a gestão da informação necessária à sua utilização quotidiana. Os operadores da rede de mobilidade eléctrica fornecerão aos condutores a informação necessária para seleccionarem o melhor itinerário, em função da disponibilidade de pontos de carregamento. Os sistemas de carregamento farão a gestão dos ciclos de carga/descarga das baterias de forma optimizada. E, não menos importante, os serviços e os modelos de negócio a implementar serão certamente suportados nos dispositivos móveis que todos nós já utilizamos hoje em dia, os smart phones e computadores portáteis.
O futuro está a bater-nos à porta e será certamente movido a electricidade!
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Tendo por base este novo paradigma de mobilidade, passaremos a ter sociedades “livres” do petróleo?
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O início do século XX trouxe consigo o famoso “paradigma do petróleo”, um hidrocarboneto relativamente fácil de extrair e de refinar, abundante (ou pelo menos assim se julgava…) e com uma ampla capacidade de desdobramento em vários produtos. O impacto do petróleo no mundo em plena industrialização foi decisivo. E foi neste contexto de abundância de recursos energéticos e ímpeto modernista que surgiu o símbolo máximo da mobilidade do século XX: o carro.
Ao propormos uma nova forma de mobilidade, estamos inevitavelmente a reduzir a dependência do petróleo enquanto fonte primária de combustível. Não acredito que, pelo menos num horizonte de 20 a 30 anos, a utilização do petróleo no contexto da mobilidade seja totalmente suplantada pela electricidade, mas não tenho dúvidas que será fortemente reduzida.
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Quando é que poderemos ir de Faro ao Porto de carro eléctrico?
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Certamente num horizonte mais próximo do que muitos de nós imaginaremos. De facto, os carregadores rápidos que já estão a ser instalados nas áreas de serviço das nossas principais auto-estradas, permitem carregar as baterias da generalidade dos veículos eléctricos à venda em Portugal em cerca de 20 minutos, repondo a respectiva autonomia para aproximadamente 150-160 km.
No entanto, a evolução tecnológica das baterias e dos respectivos sistemas de gestão, que expectavelmente irá ocorrer nos próximos anos, certamente tornará estes números (e preocupações) obsoletos, uma vez que a autonomia das baterias aumentará significativamente, enquanto o respectivo preço e peso será reduzido também significativamente.
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Qual foi a coisa mais sustentável que já fez?
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Obviamente foi a decisão de trazer a este mundo quatro filhos maravilhosos, todos eles únicos e muito mais focados nas questões ambientais do que eu. Isto aliás acontece com a maioria dos jovens de hoje, que normalmente acabam por servir como modelos de comportamento sustentável à nossa geração, muito menos sensibilizada para estas temáticas.






















May 17, 2011 at 11:31 am
E a pergunta: “E o excesso de carros nas cidades e tudo o que isso provoca para além da poluição?”
May 24, 2011 at 11:54 am
O César fez a pergunta que eu estava para escrever. Nem mais: o problema com os carros, eléctricos ou näo, é que ocupam espaço. E devido ao Paradoxo de Jevons, usa-se mais se pensarmos que “gasta menos”, por isso hoje em dia usa-se cada carro 25.000 km/anos a 5 l/100, quando há 20 anos eram só 15.000 km/anos e 7 l/100, mas com metade dos carros que hoje circulam.
May 24, 2011 at 11:55 am
Já se pode ir de Faro ao Porto de “carro eléctrico”. Chama-se Alfa Pendular.
Näo é é “carro próprio”.
May 24, 2011 at 12:32 pm
É natural que essa “pergunta impertinente” não tenha sido feita. O Sr. Silva vende o seu peixe, o carro próprio eléctrico. Mas qualquer “carro próprio”, mesmo eléctrico, é por natureza anti-sustentável.
Sustentável é ter uma boa rede de transportes públicos eléctricos, isso sim. E é por aí que passará o novo paradigma da mobilidade urbana, mais cedo do que se espera.
June 28, 2011 at 7:06 am
O sr. Silva ou anda mal informado ou é pouco preparado!
Tem piada o comentario:
“Os estudos divergem nas conclusões, mas não arriscaria muito se afirmasse que, algures entre 2020 e 2030, a maioria dos veículos vendidos na Europa será do tipo “híbrido” ou “eléctrico”. ”
Sugiro a leitura do relatorio de sustentabilidade energética da comissão europeia…