October 03, 2011



João César das Neves é professor de Economia na Universidade Católica Portuguesa, onde preside ao Conselho Científico da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais. Autor de vários livros e artigos científicos nesta área, foi consultor do então primeiro-ministro Cavaco Silva e investigador do Banco de Portugal.

Como define “sustentabilidade”?

Eu não gosto muito do conceito de sustentabilidade, devo dizer. Gosto do conceito de ética, de moral, de equilíbrio. “Sustentabilidade” é um termo usado para promover uma atitude mais responsável, mais equilibrada, perante a realidade. Quando falamos de sustentabilidade social, económica e ambiental, estamos a dizer que não devemos apenas olhar para o objectivo imediato, mas ter uma atitude ética, responsável, uma atitude séria perante a realidade.

Qual é o impacto que os projectos de sustentabilidade podem ter nas empresas?

A única maneira de a sustentabilidade ter um impacto significativo é ser integrada na acção das pessoas todos os dias. Não é fazer sustentabilidade pondo-nos numa posição especial; é ser sustentável todos os dias. E isso está a acontecer. Foi feita uma mudança cultural decisiva que integra nas nossas decisões reais – enquanto consumidores, trabalhadores ou empresários – uma atitude de responsabilidade perante o ambiente, mas também perante a sociedade. O impacto da sustentabilidade mede-se sobretudo na mudança cultural, que já é visível, na forma como as pessoas, estão a actuar, cada um na sua área.

Escreveu em 2001 um livro, “O Desenvolvimento Económico em Portugal”. Qual é o papel da sustentabilidade no desenvolvimento do país?

O desenvolvimento tem de ser visto não apenas na quantidade de toneladas de produtos que se fabricam, mas na melhoria nas condições de vida das pessoas, de forma sólida, responsável, estável e sustentável. Isso hoje já acontece na economia portuguesa e na generalidade das economias estrangeiras. O que é preciso é integrar esse equilíbrio na decisão das pessoas. E isso tem de ocorrer dentro da própria empresa, nos próprios consumidores. É aí que tem de se fazer um esforço.

Qual foi o projecto mais sustentável em que já participou?

O meu projecto mais sustentável foi o livro que escrevi sobre introdução à ética empresarial, onde trabalhei científica e pedagogicamente estes assuntos. Eu nunca trabalhei em projectos empresariais porque não é essa a minha função, sou professor. E é um desafio introduzir no ensino de Economia este tipo de questões, quer em cadeiras próprias – como a cadeira de Ética Económica que dou –, quer nas próprias cadeiras de teoria ou ciência económica, onde ensino outras coisas mas onde esses aspectos têm de estar presentes. A ética é fundamental para a economia.

Qual é o papel dos meios digitais para comunicar estas preocupações?

Os meios digitais são hoje a maneira como as pessoas comunicam. Não são os únicos, mas como são meios jovens – e muitas destas questões são questões de jovens –, eu diria que o seu papel é mais intenso, precisamente porque são meios dominados por aquela geração que já fez a mudança cultural. Por outro lado, os meios digitais, eles próprios, têm características mais sustentáveis, no sentido em que têm uma forma de produção e uma mobilidade muito mais sustentável em termos ambientais. São evidentemente um meio privilegiado para contacto, disto e de tudo o resto.

Uma Resposta to “João César das Neves”

  1. Miguel Marques Says:

    É caricato ver este senhor a comentar o conceito de sustentabilidade depois de ter escrito um artigo no jornal Destak onde defende que deviam proibir e remover os já existentes geradores eólicos porque “são feios e causam poluição visual”, chegando ao extremo (de ignorância) de afirmar que “poluição por poluição, mais vale mantermos o fumo que é mais natural do que os geradores eólicos, porque o fumo já existia no tempo dos nossos avós”! Assim como é giro ver o senhor a falar de ética, moral, equilíbrio, depois de no mesmo jornal ter publicado um artigo onde, aquando da restrição horária para apresentar em horário nobre uma corrida de touro, defendeu a tauromaquia com os mesmos argumentos ignóbeis e infelizes do costume.

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