October 27, 2011


Foi admitida na Companhia IBM Portuguesa em 1973, na Divisão Técnica, onde desempenhou diversas funções administrativas até 1987. Depois, e durante os quatro anos seguintes, assumiu cargos na área de Marketing para os sectores do Governo, Público e Indústria. De 1991 a 1997, foi responsável pela área de Media and Public Relations e em 1998 foi nomeada Directora da Divisão de Comunicações e Programas Externos. Em 2009 assume a direcção da Divisão de Marketing, Comunicações e Programas Externos, cargo que acumula com o de membro do Conselho Directivo da IBM Portugal.

Em representação da IBM, Maria da Conceição Zagalo é Presidente e membro fundador do GRACE – Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial.

Qual o projecto mais sustentável em que teve a oportunidade de participar?

Na minha vida! Ao longo de mais de 30 anos de carreira tive a sorte de trabalhar numa das empresas mais comprometidas com a sustentabilidade: a IBM. Ao longo destes anos todos, numa relação, que tenho a certeza poder dizer, de simbiose, a sustentabilidade dentro da IBM cresceu comigo e a minha vontade de trabalhar para um mundo sustentável cresceu com a IBM. Dentro deste contexto tenho tido a oportunidade de participar em dezenas ou mesmo centenas de actividades e iniciativas, umas mais estruturadas e alongadas, outras mais pontuais que contribuem, pouco a pouco para a sustentabilidade. Tenho tido a oportunidade de colocar o meu tempo, o meu conhecimento, mas acima de tudo o meu coração à disposição de muitas pessoas, de várias organizações. Não poderei deixar de destacar, certamente, o GRACE. Uma organização que, enquanto IBMer, ajudei e vi nascer, por entre um grupo de amigos que por acaso trabalhavam (quase) todos em multinacionais. Já lá vão mais de 10 anos e hoje sabemos que o GRACE leva a sustentabilidade para dentro da casa de mais de 80 associados empresariais. E que estes trazem a sustentabilidade para dentro do GRACE e, assim, de volta para mim. Acho que sustentabilidade é isso mesmo… dar e receber, na mesma medida para evitar desequilíbrios… Até porque Terra há só uma… Vida há só uma.

 

Em algumas palavras, como descreveria a evolução das preocupações com a sustentabilidade dentro das empresas?

Quase que não se descreve. É como pedir para em poucas palavras descrever a evolução do mundo nos últimos 100 anos, 10 anos, 1 ano. Estamos na era da velocidade da luz. Tudo muda muito rapidamente, demasiado rapidamente. Acho que as empresas se aperceberam que só regressando à ética, ao equilíbrio, ao respeito poderiam encontrar uma plataforma para poderem resistir a estas mudanças vertiginosas que nem sempre conseguem acompanhar e muito menos compreender. A sustentabilidade é, provavelmente, o único porto seguro para uma empresa. Um conjunto de valores e princípios basilares que enquadram expectativas e que portanto, ajudam a prever comportamentos. É por isso que, dentro dos mais clássicos enquadramentos teóricos da gestão de empresas, se pode afirmar que só sobrevivem as empresas sustentáveis.

Como Presidente do GRACE, considera que as empresas portuguesas são muito ou pouco sensíveis à realização de projectos de Responsabilidade Social (CSR)?

Eu espero que elas não sejam sensíveis a projectos de RSE. Eu sei que as empresas portuguesas são cada vez mais sensíveis à RSE, aliás, eu sei que as empresas são cada vez mais socialmente responsáveis e que essa responsabilidade se traduz e manifesta de diversas formas. Em primeiro lugar é importante que se manifeste em visão, em estratégia, dentro da qual cabem “iniciativas” e “projectos” socialmente responsáveis… que felizmente são cada vez mais. Eu acho que estes projectos de RSE (como por exemplo, apoio a uma dada organização ou causa social ou ambiental) são, muitas vezes, a forma que as empresas encontram para exteriorizarem as preocupações e o seu posicionamento para os públicos externos que, de outra forma, não teriam oportunidade de o conhecer. Por entre os associados do GRACE temos tido a oportunidade de todos os dias conhecer novos projectos, novas abordagens, novas formas das empresas estarem na comunidade.

Quais são os grandes objectivos do GRACE para os próximos anos?

Difícil de responder no dia de hoje, com base numa visão antecipada dos próximos anos, no entanto, e tentando cumprir com a questão colocada, eu diria que o GRACE crescerá em visão, estratégia e capacidade de concretização, em linha com os crescimentos verificados no seio dos seus associados. O GRACE que hoje conhecemos sustentar-se-á seguramente, na evolução da própria sociedade, adaptando-se constantemente à dinâmica dessa mesma sociedade, ela própria pautada por pessoas, por questões ambientais e por economias mais exigentes e mais contribuidoras para o bem-estar de todos. Ora bem, sendo o GRACE uma associação constituída por empresas de todas as dimensões e sectores de actividade, à distância, olho para um futuro necessariamente, caracterizado com o maior número de empresas que, de micro, pequena, média ou grande dimensão, vão saber dar às mãos em prol de um mundo melhor.

De que forma é que os meios digitais podem contribuir para a concretização desses objectivos e dos projectos do GRACE?

À comunicação cabe estar no coração das estratégias de Responsabilidade Social, já que é um passo fundamental para estabelecer uma relação de partilha e confiança com todos os stakeholders da sociedade. Motivo mais do que suficiente para o GRACE apostar nos meios digitais. E é por isso que através do nosso site e da nossa newsletter partilhamos os projectos GRACE e as boas iniciativas dos nossos associados. Mas o GRACE está atento à evolução dos meios digitais, onde as redes sociais lideram. E aqui os números falam por si. Mundialmente, o Facebook  conta com mais de 500 milhões  de utilizadores activos, sabemo-lo. Actualmente, só em Portugal, conta com mais de 3 milhões de utilizadores, também o sabemos. É a rede social global com maior crescimento, nos últimos meses, no nosso país…e é por isso que é a rede social mais explorada pelo GRACE. Sim, porque o GRACE quer chegar a cada vez mais empresas. E do que são feitas as empresas? Pessoas. É que são as pessoas que têm o poder de a cada gesto, a cada dia, mudar um bocadinho o mundo. E como diz o ditado: “grão-a-grão enche a galinha o papo”, que é como dizer, comunicação a comunicação, partilha a partilha, acção a acção, construímos todos uma sociedade mais justa, mais equitativa e sustentável.

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