January 13, 2012


José Carlos Mota é de Aveiro e tem um mestrado em Planeamento e Projecto Urbano pela Universidade do Porto. Além de ser docente na Universidade de Aveiro, tem estado envolvido em vários projectos, entre eles o blog Cidades Pela Retoma e o movimento Cívico Amigosd’Avenida de Aveiro.

1. De que forma a web tem sido relevante para a divulgação do Movimento “Cidades Pela Retoma”?

A emergência de um movimento com a natureza do ‘Cidades pela Retoma’ ( Facebook Cidades pela Retoma ), que ambiciona lançar uma reflexão alargada e profunda sobre o papel das cidades e das comunidades na resposta à crise e na procura de um novo paradigma de organização social, económico e espacial, e que o pretende fazer a partir da agregação e capacitação de dinâmicas cívicas locais, numa base voluntária, tem de se socorrer, pelo menos numa fase inicial, do potencial que a web oferece. Ainda assim, importa sublinhar que o que se pretende é que esses canais virtuais estimulem as comunidades locais a organizar-se e a iniciar reflexões e debates na esfera pública local.

2. Como tomou a decisão de avançar com este Movimento em Portugal?

O movimento surgiu, em primeiro lugar, a partir da constatação da necessidade e da importância da sociedade civil se organizar à escala local para reflectir sobre o seu futuro colectivo, perante a emergência de uma crise financeira, económica e social com impactos profundos e da necessidade de equacionar uma mudança de paradigma (‘transição’). Num segundo momento, desenvolveu-se porque existe a consciência que, apesar da natureza incipiente, frágil e efémera de muitos movimentos sociais urbanos, existem experiências que pela sua resiliência e consistência justificam uma atenção, acompanhamento e estímulo. Por último, existe a consciência do enorme potencial das nossas cidades para a promoção do desenvolvimento económico e social (reconhecido em documentos da União Europeia e em vasta experiência internacional), o que, no entanto, exige a mobilização e alinhamento das energias disponíveis (cívicas, produtivas, conhecimento, organizações sociais/económicas e da acção pública local) e a definição de novas esferas públicas de encontro, reflexão e acção.

3. Durante o desenvolvimento deste Movimento, quais as cidades que têm tido mais receptividade?

O movimento funciona há mais de um ano e tem um núcleo duro constituído por mais de vinte pessoas de várias cidades portuguesas (Porto, Aveiro, Coimbra, Guarda, Covilhã, Torres Vedras, Lisboa e Faro). Até agora foram realizados um total de oito eventos, quatro no Porto (organizados pela Associação de Cidadãos do Porto), três em Faro (organizados pela Associação Faro 1540) e um em Lisboa (organizado pelo Movimento e pela Livraria Ler Devagar). Para além disso, o movimento desenvolve um conjunto de iniciativas, por exemplo o projecto Global City 2.0 – rede de movimentos cívicos urbanos, que mobiliza personalidades e instituições de vários países a nível mundial (Brasil, Espanha, Argentina, …).

4. Qual é a ideia ou projecto mais sustentável, a nível pessoal, que já desenvolveu?

Aprecio particularmente a multiplicidade de sentidos do conceito de sustentabilidade e nesse sentido talvez seleccionasse o projecto ‘ Murtosa Ciclável’ que visa promover o uso da bicicleta (no dia a dia e para lazer), valorizar o conhecimento (científico e empírico) existente sobre a ria de Aveiro e estimular a criação de novos serviços e actividades económicas, sociais e culturais, factores de geração de riqueza e emprego.

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