Sandbox Global Summit, Lisboa

A Sandbox Network pode ser definida como uma organização que tem por objectivo ajudar as empresas a crescer. Este crescimento passa pela procura de novos modelos de negócio, aplicações mais eficientes da tecnologia e dos serviços e pela criação parcerias. Torna-se por isso relevante acrescenta a este espaço de criatividade o diálogo em torno da sustentabilidade urbana, visto que são estas empresas emergentes que influenciam o panorama do sector privado.
É com isto em mente que se incluiu no Sandbox Network Summit um workshop dedicado exclusivamente à sustentabilidade urbana, graças à presença da Siemens. É necessário fomentar o pensamento em torno da sustentabilidade urbana junto das Startups, pequenas empresas que estando consolidadas procuram investimento ou outros recursos para se tornarem mais rentáveis ou eficientes.
O evento incia-se hoje e pela primeira vez tem Lisboa como palco.Um dos participantes a Susi Partners, foca a sua actividade no apoio a projectos de sustentabilidade, económica, ambiental ou social. Todo o painel de participantes inclui um leque bastante vasto de aptidões e competências, desde o marketing à robótica.
Numa altura em que se procura fortalecer o tecido empresarial português, este género de inciativas é ainda mais importante pela possibilidade de troca de experiências e de conhecimento. Sendo um dos objectivos “remover obstáculos” a um desenvolvimento sustentável do ponto de vista económico e social.
José Carlos Mota
José Carlos Mota é de Aveiro e tem um mestrado em Planeamento e Projecto Urbano pela Universidade do Porto. Além de ser docente na Universidade de Aveiro, tem estado envolvido em vários projectos, entre eles o blog Cidades Pela Retoma e o movimento Cívico Amigosd’Avenida de Aveiro.
1. De que forma a web tem sido relevante para a divulgação do Movimento “Cidades Pela Retoma”?
A emergência de um movimento com a natureza do ‘Cidades pela Retoma’ ( Facebook Cidades pela Retoma ), que ambiciona lançar uma reflexão alargada e profunda sobre o papel das cidades e das comunidades na resposta à crise e na procura de um novo paradigma de organização social, económico e espacial, e que o pretende fazer a partir da agregação e capacitação de dinâmicas cívicas locais, numa base voluntária, tem de se socorrer, pelo menos numa fase inicial, do potencial que a web oferece. Ainda assim, importa sublinhar que o que se pretende é que esses canais virtuais estimulem as comunidades locais a organizar-se e a iniciar reflexões e debates na esfera pública local.
2. Como tomou a decisão de avançar com este Movimento em Portugal?
O movimento surgiu, em primeiro lugar, a partir da constatação da necessidade e da importância da sociedade civil se organizar à escala local para reflectir sobre o seu futuro colectivo, perante a emergência de uma crise financeira, económica e social com impactos profundos e da necessidade de equacionar uma mudança de paradigma (‘transição’). Num segundo momento, desenvolveu-se porque existe a consciência que, apesar da natureza incipiente, frágil e efémera de muitos movimentos sociais urbanos, existem experiências que pela sua resiliência e consistência justificam uma atenção, acompanhamento e estímulo. Por último, existe a consciência do enorme potencial das nossas cidades para a promoção do desenvolvimento económico e social (reconhecido em documentos da União Europeia e em vasta experiência internacional), o que, no entanto, exige a mobilização e alinhamento das energias disponíveis (cívicas, produtivas, conhecimento, organizações sociais/económicas e da acção pública local) e a definição de novas esferas públicas de encontro, reflexão e acção.
3. Durante o desenvolvimento deste Movimento, quais as cidades que têm tido mais receptividade?
O movimento funciona há mais de um ano e tem um núcleo duro constituído por mais de vinte pessoas de várias cidades portuguesas (Porto, Aveiro, Coimbra, Guarda, Covilhã, Torres Vedras, Lisboa e Faro). Até agora foram realizados um total de oito eventos, quatro no Porto (organizados pela Associação de Cidadãos do Porto), três em Faro (organizados pela Associação Faro 1540) e um em Lisboa (organizado pelo Movimento e pela Livraria Ler Devagar). Para além disso, o movimento desenvolve um conjunto de iniciativas, por exemplo o projecto Global City 2.0 – rede de movimentos cívicos urbanos, que mobiliza personalidades e instituições de vários países a nível mundial (Brasil, Espanha, Argentina, …).
4. Qual é a ideia ou projecto mais sustentável, a nível pessoal, que já desenvolveu?
Aprecio particularmente a multiplicidade de sentidos do conceito de sustentabilidade e nesse sentido talvez seleccionasse o projecto ‘ Murtosa Ciclável’ que visa promover o uso da bicicleta (no dia a dia e para lazer), valorizar o conhecimento (científico e empírico) existente sobre a ria de Aveiro e estimular a criação de novos serviços e actividades económicas, sociais e culturais, factores de geração de riqueza e emprego.
Múmias egípcias analisadas num estudo inédito em Portugal

Investigadores portugueses, com recurso a equipamentos de diagnóstico da Siemens, detetaram um cancro numa das múmias do Museu Nacional de Arqueologia
Uma das múmias, datadas do período Ptolomaico (305-30 a.C.), revelou um cancro da próstata, com metástases nos ossos, o que faz deste o caso de cancro da próstata mais antigo conhecido no Antigo Egipto e o segundo caso mais antigo alguma vez registado (o caso mais antigo foi encontrado no esqueleto de antigo rei da Cítia com 2700 anos, encontrado na atual Rússia).
A descoberta foi feita no âmbito do Lisbon Mummy Project, uma parceria entre o Museu Nacional de Arqueologia, a Fundação Gulbenkian, o IMI – Imagens Médicas Integradas e a Siemens. O estudo foi realizado nas soluções de Raio X digital e TAC multi corte da Siemens, instaladas no IMI, onde decorreram os exames, para fazer um retrato 3D fiel de cada uma das múmias. As soluções de imagiologia da Siemens e a workstation, que disponibilizou para o pós-processamento avançado das imagens digitais adquiridas durante os exames, permitiram pela primeira vez estudar estes exemplares, preservados nas suas ligaduras originais, sem causar qualquer dano.
Os exames permitiram avaliar dados de antropologia física e paleopatologia, detalhes do processo de embalsamamento, o nível de preservação de cada múmia e pormenores das ligaduras e artefactos associados ao ritual fúnebre. A múmia apelidada de M1, à qual foi detetado o cancro, terá morrido com menos de 60 anos, poucas décadas antes do nascimento de Cristo. É uma múmia sem sarcófago, cuja identidade é desconhecida, ao contrário dos outros dois exemplares analisados. A segunda múmia está identificada como Pabasa, filho de Hor, um sacerdote encarregue de vestir a estátua de Min, o Deus egípcio da fertilidade. Neste “paciente”, o Lisbon Mummy Project detetou uma distensão muscular, que lhe terá provocado dores frequentes. A terceira múmia foi identificada como Irtieru, que significa “que os olhos se voltem contra eles”, uma referência aos olhos do Deus Hórus e aos inimigos do falecido.

























